segunda-feira, 5 de novembro de 2012

FC Paços de Ferreira 0 - 0 SC Olhanense


Não se iludam com o marcador estéril. O nulo apenas maquilha um jogo fértil, competitivo, disputado nos limites por duas equipas sólidas e certas do caminho a seguir. Neste caso, talvez como rara excreção o golo seria um mero detalhe num jogo extremamente interessante. 

Pela insistência admirável na segunda parte, o Paços de Ferreira terá mais razões de queixa com o resultado final. Na etapa complementar, os castores foram mais verticais, vigorosos, insistiram no passe longo e no sufoco aos centrais algarvios. 

Estiveram perto, muito perto do golo a 20 minutos do final, quando Vítor surgiu na área a disparar a centímetros do poste direito de Bracali.



Até ao intervalo, a equipa de Sérgio Conceição teve controlo quase absoluto sobre a partida. Anulou as principais peças da engrenagem ofensiva pacense, nomeadamente o ponta-de-lança Cícero e os extremos Manuel José e Hurtado, e chegou a colocar Cássio em sérios apuros. 

Tiago Targino falhou um golo certo logo a abrir, Antunes anulou mais tarde os intentos de Djaniny e foi com alguma surpresa que o Paços de Ferreira, normalmente imponente na Mata Real, chegou ao intervalo a braços com uma crise de confiança.



Os indicadores de supremacia mudaram de lado no tempo de descanso, como acima escrevemos. André Leão passou a recuar bastante, a ser o iniciador das transições ofensivas e isso fez toda a diferença.


A qualidade da circulação de bola do Paços aumentou radicalmente, pois deixou de passar diretamente dos defesas centrais para o trio da frente. Leão, bem acompanhado por Vítor, confundiu a organização algarvia, alimentou o ataque e deu sentido à afirmação arrojada do seu treinador: é o melhor médio português a jogar na posição seis? É uma discussão curiosa.

Que fique bem claro, porém, que o Olhanense nunca foi uma vítima entregue ao abuso do captor. Nada disso. Os algarvios quiseram jogar num bloco mais baixo e preferiram aproveitar a velocidade de Abdi e Ivanildo no contra-ataque. 

Já no período de descontos, viram Vasco Fernandes falhar por muito pouco o golo, num lance de bola parada. Esse golo seria uma traição à lógica do jogo e à reacção fortíssima do Paços de Ferreira nos segundos 45 minutos. 

As duas equipas nivelaram-se e estiveram bem acima da terceira interveniente. O trio liderado por Hugo Miguel foi picuinhas e falhou demasiadas vezes, num jogo que até nem foi difícil de dirigir. 

Declarações do Treinador Paulo Fonseca 
«Merecíamos ter vencido. Estou satisfeito com os meus atletas. Tivemos oportunidades para vencer, perante um adversário difícil e que nos deu muita luta. Fomos melhores e tivemos as melhores oportunidades durante todo o jogo».

[Sobre a melhoria na segunda parte...]

«A segunda parte foi claramente melhor, é verdade. Não é fácil ter um adversário que joga com bloco baixo. Na primeira parte tivemos algumas dificuldades para chegar às zonas de finalização, mas na segunda parte tivemos três lances para marcar. Na segunda parte o Olhanense não nos criou quaisquer problemas na defesa».

Melhor em Campo
André Leão
Elogiado publicamente por Paulo Fonseca, o médio fez por merecer o louvor. Classe não lhe falta, qualidade também não. Sempre de cabeça levantada, sempre a procurar os caminhos certos, sempre interessado em acionar os mecanismos da equipa. Bom no passe curto, acertado no longo, forte no combate da zona intermediária. Afirmá-lo como o melhor português na posição 6 é arriscado. Talvez seja mais sensato sublinhar que é um médio de enorme qualidade, claramente apto a servir a Seleção Nacional. No imediato.

Melhor Momento


Vítor a centímetros do golo (minuto 71)
Foi a melhor oportunidade em toda a partida. O médio do Paços de Ferreira surgiu na área algarvia, rematou para golo e a bola passou a centímetros do poste direito. Depois disso percebeu-se que muito dificilmente o nulo seria desfeito. Melhores do Paços


Antunes 
As características que o conduziram à AS Roma permanecem intocáveis. Pontapé fortíssimo, forte no apoio ao extremo, sempre raçudo. Jogo muito interessante, mais visível pela participação sempre perigoso nos lances de bola parada. Talvez valha a pena voltar a olhar para Antunes como uma boa opção para o lado esquerdo da selecção  tão depauperado nos últimos jogos.

Vítor
Primeira parte desinspirada, segunda parte tremendamente influente. Dos seus pés saíram passes de rotura, cruzamentos e o remate mais perigoso de todo o jogo. Pelo que fez na etapa complementar, rivaliza directamente com André Leão na luta pela nomeação como «Figura do Jogo».

Resumo em vídeo 

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